Auxiliares de Creche – Profissionais da Educação

À PROCURA DE IDENTIDADE

Tory Oliveira 6 de maio de 2011 às 12:29h

Há 15 anos tratados como educadores, os profissionais das creches ainda lutam por ter reconhecimento e bons salários. Foto: Lalo de Almeida/Folhapress

A tranquilidade do casarão antigo, instalado em uma rua arborizada do bairro de Santa Cecília, em São Paulo, só é quebrada pelo barulho da música infantil que vem do primeiro andar. A canção embala atividades desenvolvidas com parte das 260 crianças entre 2 e 5 anos que, todos os dias, são atendidas pela equipe de 24 professoras no CEI Coração de Maria. É no estabelecimento, mantido pela Associação Solidariedade e Esperança em convênio com a prefeitura, que, desde 2008, trabalha Inês Cristina da Silva. A rotina é puxada – oito horas diárias com cerca de dez crianças de 2 e 3 anos. Inês possui formação média com magistério e ganha R$ 1,2 mil por mês. Há alguns anos, a professora de 28 anos tentou a faculdade de Pedagogia, mas esbarrou na falta de tempo e dinheiro para pagar as mensalidades.

Inês é uma entre os 95.643 professores que atuam em creches em todo o Brasil. A grande maioria (98%) é composta de mulheres. Dados do último Censo Escolar (2009) revelam que 45% têm formação igual à de Inês, o chamado Normal Magistério, e apenas 37% têm Ensino Superior com licenciatura. Há também a presença das auxiliares, educadoras geralmente sem escolaridade e formação adequadas. Mesmo entre aquelas que concluem o Ensino Superior há despreparo: menos de 5% dos conteúdos dos cursos de Pedagogia no Brasil referem-se à Educação Infantil. Pior: grande parte desses conteúdos pouco contribui para que as futuras professoras saibam como trabalhar, na prática, com turmas de crianças pequenas. “A faculdade não ensina a trocar fraldas. As meninas se surpreendem com a realidade”, relata Maria Letícia Nascimento, da Faculdade de Educação da USP. Quinze anos depois de inserido formalmente na esfera da educação, o profissional que trabalha com Educação Infantil com crianças de zero a 3 anos, ainda está em busca de identidade.

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POr Delso Costa

fonte revista Carta Capital

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