Filha de José Serra, sigilo violado?

EM 30 DE JANEIRO de 2001,o peemedebista Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou um oficio ao Banco Central,comandado à época pelo economista Arminho Fraga. Queria explicações sobre um caso escabroso. Naquele mesmo más, por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente, uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do Pais. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Veronica Dantas Rodenburg.

A Decidir.com teve acesso às informações cadastrais mesmo sem ser empresa de recuperação de créditos

Ironia do destino, a advogada Verônica Serra, 41 anos, é hoje a principal estrela da campanha política do pai, José Serra,candidato do PSDB à Presidência, justamente por ser vitima de uma ainda mal explicada quebra desigilo fiscal cometida por funcionários da Receita Federal. A violação dos dados de verônica tem sido extensamente explorada na campanha eleitoral. Serra acusou diretamente Dilma Rousseff de responsabilidade pelo crime, embora tenha abrandado o discurso nos últimos dias.

Naquele começo de 2001, ainda durante o segundo manda todo presidente Fernando Henrique Cardoso, Temer não haveria de receber uma resposta de Fraga.Esta, se enviada algum dia, nunca foi registrada no protocolo da presidência da Casa. O deputado deixou o cargo menos de um mês depois de enviar o oficio ao Banco Central e foi sucedido pelo tucano Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato ao Senado. Passados nove anos. o hoje candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff garante que nunca mais reve qualquer informação sobre o assunto, nem do Banco Central nem de autoridade federal alguma. Nem ele nem ninguém. Graças à leniência do governo FHC e n então boa vontade da mídia, que não enxergou, como agora, nenhum indicio de um grave atentado contra os direitos dos cidadãos, a história ficou reduzida a um escândalo de emissão de cheques sem fundos por parte de deputados federais.

Temer decidiu chamar o Banco Central as falas no mesmo dia em que uma matéria da Folha de S.Paulo informava que, graças ao passe livre do Decidir. com, era possível a qualquer um acessar não só os dados bancários de todos os brasileiros com conta corrente ativa, mas também o Cadastro de Emitentes de Cheques Sem Fundos (CCF), a chamada “lista negra” do BC. Com base nessa facilidade, o jornal paulistano acessou os dados bancários de 692 autoridades brasileiras e se concentrou na existência de 18 deputados enrolados com cheques sem fundos, posteriormente constrangidos pela exposição pública de suas mazelas financeiras, continue lendo aqui.

Copiado por
Delso Costa
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